7 de novembro de 2016

Até quando é normal meu filho falar errado?

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Os pais apresentam muitas dúvidas no que diz respeito à fala dos seus filhos, inclusive na semana passada uma mãe me fez o seguinte questionamento: “Até quando é normal meu filho falar errado?” Mas antes de responder é preciso explicar o que é Distúrbio fonológico e suas principais causas.

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As pesquisas mostram que o Distúrbio fonológico é bastante recorrente na população infantil. Muitos pais percebem que algo está errado com a fala de seus filhos, contudo não sabem quando procurar o Fonoaudiólogo. O ideal é que busquem a intervenção tão logo percebam a dificuldade evitando assim que as crianças, quando expostas à alfabetização, não apresentem dificuldades na consciência fonológica e, consequentemente, na leitura e escrita. De acordo coma especialista Haydée Wertzner:

“O distúrbio fonológico é definido como umaalteração de fala caracterizada pela produçãoinadequada dos sons e uso inadequado das regras fonológicas da língua, com relação à distribuição do som e ao tipo de sílaba, que resultam no colapsode contrastes fonêmicos, afetando o significadoda mensagem. A causa do distúrbio édesconhecida, sendo a gravidade e a inteligibilidadede fala de graus variados.”

É importante lembrar que o sistema fonológico de uma criança é adquirido de maneira gradual de acordo com sua idade. Durante esse processo de aquisição é comum a presença de trocas na fala, como substituições, omissões e distorções dos sons. Isto ocorre de maneira natural durante o processo, pois as crianças ao aprenderem o sistema fonológico, confundem-se e realizam uma simplificação das regras fonológicas aplicadas às classes de sons, ou seja, surgem as trocas na fala. Exemplo: (sapo-tapo), (casa-tasa), (gato-dato) entre outros.

Agora que você já compreende o desenvolvimento típico da aquisição fonológica, como saber quando algo está errado? O que ocorre, em muitos casos, é uma permanência dessas trocas para além da idade esperada, assima criança é diagnosticada com Distúrbio fonológico.

Segundo a literatura,são destacados cinco subgrupos com diferentes causas que englobam as omissões, substituições e distorções não mais esperadas para a idade. Inclui-se também, nesse contexto, dificuldades de aprendizagem e sociais. Os subgrupos são:

  • Genético: estatisticamente pode ser o responsável por cerca de 40 a 60% dos casos em crianças dos 3 aos 5 anos de idade;
  • Presença de otite média de repetição: engloba uma porcentagem de 30% das crianças que por ventura apresentam trocas na fala. Assim quando as crianças possuem histórico de otites sucessivas, observa-se a presença de omissões e substituições não mais esperadas para a idade, como também a presença dedificuldade de aprendizagem.
  • Envolvimento motor de fala: correspondente a apenas 5% dos casos de dificuldade na fala, estima-se que haja a participação do movimento motor oral sem justificativa, apresentando alto índice de risco para desenvolver problemas futuros na fala.
  • Envolvimento Psicossocial: esse ponto ocorre muito pouco entre as crianças. Estima-se que menos de 5% da população infantil com distúrbio fonológico envolve questões do desenvolvimento psicossocial.
  • Erros residuais de fala: acontece com crianças que não apresentaram histórico de atraso na fala, caracteriza-se por distorções de fonemas. Por exemplo: (machado-masado), ou seja, a criança quando produz o fonema /ch/ o transforma em /s/.

O que vocês papais e mamães precisam ficar atentos?

Uma primeira observação é sobre o atraso no início da fala, ou seja, quando a criança aos 2 anos não fala praticamente nada, pois nessa idade ela já deveria falar frases simples como “me dá”. Caso isso não aconteça é importante marcar uma avaliação fonoaudiológica.

Já aos 3 anos surgem as primeiras trocas de fonemas (nome atribuído ao som produzido pelas letras). Contudo isso não é exatamente um problema, pois é preciso considerar qual o tipo de troca realizada, como também a faixa etária da criança. Um exemplo bastante comum nesse período é o hábito de “engolir” alguns fonemas, por exemplo o /R/: ao invés de falar preto, pronunciar peto. De acordo com Gizele Toreti e Letícia Ribas:

“A ordem de domínio dos fonemas e a idade de aquisição são variáveis, não se pode prever exatamente quando uma criança irá apresentar e adquirir determinado segmento, o que se pode fazer são apenas afirmações probabilísticas. No entanto, parece haver um determinado padrão na ordem de domínio dos fonemas, já que a maioria das crianças apresenta, durante o processo de desenvolvimento, a mesma ordem de aquisição, aproximadamente com a mesma idade.”

É importante considerar que até os 6 anos a criança se encontra em processo de desenvolvimento fonológico. O ideal é que aos 5 anos ela já esteja pronunciando todos os sons corretamente.Mas é importante lembrar que cada criança é única e que os pais não devem se prender a padrões fixos e nem se preocuparem em excesso.Caso percebam que as trocas estão persistindo, é necessário a avaliação com um especialista, no caso o Fonoaudiólogo.

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