31 de outubro de 2018

Criptorquidia – nossa experiência

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No post de hoje, tudo o que falei sobre os testículos retráteis do Pititico no meu antigo blog.
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Procuramos um cirurgião porque o Pititico tinha fimose. A pediatra achamos válido procurarmos um especialista para que não restasse nenhuma dúvida.
Então, o Pititico chegou lá dormindo. Primeiro explicamos (marido e eu) o motivo de estarmos ali. O cirurgião pediu pra examiná-lo e ele acordou assustado, tadinho. Chorou um pouco, mas rapidinho fez amizade com o dr. Ele me perguntou se eu já havia observado o jato de urina do Pititico, se tinha algo de diferente e tal. Fui sincera né? Não. Nunca reparei, porque quando acontecia eu estava tentando me proteger, rs. Rimos. Mas ele reparou, hahaha. O Pititico fez xixi bem na hora! O cirurgião falou que estava ótimo, tudo normal, hehehe.
Tá. Continuou examinando e me perguntou se alguém já havia me dito que os testículos dele não estavam dentro do saquinho. Hã? Paralisei. Olhei pra Emerson assustada. Respondi que não, como assim? Ele disse que isso é “normal” até um ano e meio.
Explicando: os testículos são originados dentro do abdome do bebê, e perto do nascimento eles “descem” para a bolsa escrotal por um canal chamado “Conduto peritônio-vaginal”. Este canal se fecha normalmente após a descida dos testículos. As alterações de posição normal dos testículos, ocorrem entre a descida e o fechamento deste canal. Não tem causa definida. O testículo fora da bolsa escrotal pode causar esterilidade.
Nunca vi isso. Não sabia mesmo. Mais uma. O médico disse que é para fazer uma nova avaliação quanto ele completar um ano e meio. Frisou que não é doença até essa idade.
Minhas considerações:
– pesquisei e em todo canto que li é normal até um ano;
– a idade para correção é entre 9 meses e 1 ano de idade;
– o tratamento com hormônios propicia maus resultados;
– após 6 meses de idade é improvável que os testículos venham a descer.
Quanto a fimose, a maioria dos meninos tem. Mas o médico disse que ela deve desaparecer espontaneamente. Que é pra continuar com os exercícios, sem torturar o bebê!
Tranquila quanto à fimose mas, preocupada em relação aos testículos dele, eu como toda boa mãe vou procurar uma segunda opinião.
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Tivemos a consulta tão esperada com a nova pediatra. Adoramos!
Ela passou uma pomada para a fimose e disse pra continuar com os exercícios. A grande novidade é que ela “encontrou” os testículos! Ela disse que ele tem na verdade, testículos retráteis. Então esperaremos até um ano e meio, se continuarem assim ela me indicará um cirurgião e veremos o que precisa ser feito. Ela disse que se os testículos não estivessem lá, se fossem ausentes, a cirurgia teria de ser imediata, ou seja, não poderia esperar como havia dito o cirurgião.
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O coração da mamãe aqui está dos mais apertados. A pediatra indicou o cirurgião já que os testículos não desceram.
Fizemos o ultrassom solicitado, eu estava ansiosa. O Pititico se comportou muito bem. Sorriu para o médico, perguntou se tava beleza e ficou assistindo na televisão a tudo de olhos bem abertos. Perguntou: “o que cê tá fazendo comigo?”. O médico riu e explicou.

Coversamos com o cirurgião. Ele disse que o ultrassom mostrou o que ele já esperava. O que o Pititico tem é criptorquia, o que significa que os testículos não completaram sua descida permanecendo no canal inguinal (que é o caminho do abdômen ao escroto). E a cirurgia é indispensável. Para um bom desenvolvimento, o testículo precisa da temperatura adequada. Caso não esteja na bolsa escrotal, para encontrar estas condições até os dois anos de idade, ele começa a sofrer as consequências da temperatura mais alta, que são: infertilidade, aumento na possibilidade de câncer de testículo após 30 anos de idade, desenvolvimento anormal do testículo e maior risco de torção testicular.

Ele me passou os pedidos dos exames, cardiologista e, assim que estiver tudo pronto eu ligo para agendar o dia da cirurgia. Ele é muito atencioso e só ouvi coisas boas deles. Essa é a especialidade dele há mais de 20 anos. Hoje ele já havia feito duas cirurgias iguais a que o Pititico precisa. Mas sou mãe e tô morrendo por dentro!

O que doeu ainda mais é que a cirurgia não pode ser feita nos dois testículos de uma só vez, então faremos primeiro no direito e três meses depois no esquerdo. A anestesia é geral por nebulização (cheirinho) e depois que ele dormir uma anestesia local. Ele terá alta no mesmo dia e o pós-operatório segundo ele é tranquilo.

Para a cirurgia precisamos adiantar o desfralde diurno. Não foi fácil. Muito xixi e cocô no chão, tapete, cama. Todo lugar menos no banheiro. E além disso, o acidente com os meus pais, a escolinha…começamos e paramos. Mas conseguimos! Pititico tá um rapazinho usando seu piniquinho. O cocô normalmente faz assim que acorda e ainda está com a fralda, mas se durante o dia ele vai ao banheiro.

(Minha consideração sobre o que se precisa no desfralde: paciência, muita paciência rs.)

Sobre o desfralde noturno vou esperar. Tô sem pressa. Esperar passar o frio e não sei como será depois da cirurgia. Vamos ver.
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No dia 16/07/2014 o Pititico passou pela cirurgia.
Chegamos no hospital às 06:00 e ele foi para o bloco cirúrgico 07:30.
Ele chorou quando o tirei da cama tão cedinho. Só sabia dizer: quero dormir na minha cama. Fiquei com dó, meu coração estava em migalhas. Mas foi acordado, pediu mamadeira e eu disse que ele tomaria depois (tinha que ficar em jejum). Certo. Não reclamou. Eu já havia explicado mais ou menos o que aconteceria e acho que ele entendeu.
Estava alegre, brincou na recepção do hospital, cumprimentou todo mundo, usou o banheiro com a privadinha mirim (haha, ele ficou encantado).
Quando a enfermeira nos chamou ele atendeu prontamente e ficou exibindo sua pulseira. Vestimos a roupinha e ele achou legal estar parecido com o médico, mas cansou rápido. Não queria mais a touca. Fiquei com ele no colo, bem juntinho, enquanto ele esperava pelo “balão”. Ele ficou empolgado com a ideia de soprar um balão. Meu marido estava bem mais nervoso, ele não aguenta. E eu, também estava, mas precisava segurar a onda. Quando chegou a hora, a anestesista pegou ele no colo, eu beijei, falei que ficaria esperando e me deu uma vontade de pegar ele de volta e sair correndo.
A espera pareceu uma eternidade. Foi maravilhoso ouvir o médico me chamar e dizer que a cirurgia tinha sido ótima! Ele colocou o testículo direito no saquinho e retirou uma hérnia inguinal.
Troquei de roupa e já dava pra ouvir o choro do meu Pititico. Fui pra sala de recuperação e meu coração doeu de ver ele com oxigênio, oxímetro, soro e muito agitado. Ele ficou no meu colo pra se acalmar e deu certo. Quando ele sentiu a tão querida cobertinha (naninha) ele ficou quietinho. Ficava nervoso com o oxigênio mas controlável. Dormiu bastante. Quando fomos para o quarto ele já estava muito bem! Disse que a barriga tava roncando e tomou sua dedeirinha. Fez xixi normal.
Fomos pra casa de tardinha. No caminho ele vomitou bastante. Mas em casa estava tranquilo. Tomou remédio pra dor e eu fui dormir no quarto dele. Não dormi. Fiquei a noite toda ajeitando a posição dele na cama. Ele se mexe muito e toda hora reclamava.
Se passaram 10 dias, o saquinho (que inchou muiito) já está lindo (com o lado direito maior, rs), não está mais roxo e o corte fechadinho. O local onde foi retirada a hérnia tem um corte maior e fica saliente e meio duro. Tivemos consulta de revisão e o médico disse que está muito bom. A recomendação é fazer massagem com óleo de amêndoas (onde se retirou a hérnia) e continuar com o repouso. O que aliás é a parte mais difícil. Manter o Pititico sentado ou deitado, ou só andando é quase impossível. Porque o que ele gosta é de chutar bola, pega-pega e não pode nada. Eu falei com ele que não pode correr, não pode pular…aí ele virou pra mim e: e andar, pode? Tipo, pelo menos andar pode? kkkkkkk. Fico com dozinha. Mas a boa recuperação depende disso. Não muito pelo testículo, mais pela hérnia (o médico disse que a hérnia surgiu porque o testículo estava fora do lugar).
Bom, é isso: a cirurgia foi perfeita; por mais que seja comum não é simples, porque como disse o médico “não existe cirurgia simples”. Anestesia geral pesa nos ouvidos e coração. Foi realizada no momento certo, quanto antes melhor, mas não antes dos 2 anos. Eu fiquei com ele o tempo todo, marido trabalhando e eu cuidando. Ele recebeu visitas mas é melhor ficarmos só nós dois mesmo, rs, porque ele se agita e quer pular, correr, dar cambalhota, tudo que não pode. Ele gosta da massagem porque já anda sentindo uma coceirinha, acho que é por causa da cicatrização. Graças a Deus deu tudo certo! Obrigada a vocês que pediram por nós, que se importaram, me encorajaram!

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