22 de março de 2017

Minhas impressões sobre o aborto

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O que percebo é que o aborto, seja qual for, é doloroso. Agora consigo imaginar um pouco da dor das mamães que perdem depois de gerar o bebê por mais tempo…

E sei o quanto é difícil dizer “siga em frente”.

Foi chato ouvir e até pensar que: Deus sabe o que é melhor; logo você engravida de novo; você ainda é nova.

Não! Não estou dizendo que não gostei do carinho que tantas pessoas demonstraram! Sou muito grata a cada um que se importou e até chorou pela minha dor.

Só estou dizendo o que se passava na minha cabeça.

Na hora eu não queria ouvir nada. Queria chorar apenas. Queria um abraço calado. Porque nada do me diziam me confortava.

O primeiro sentimento foi uma tristeza profunda. Depois um pouco de revolta. Acho que é normal né?

A sensação de vazio é absurda. Como pode a gente amar sem conhecer e desejar mais que tudo alguém que ainda nem tomou forma? Não sei explicar.

A gestação foi de poucas semanas mas abandonar a emoção de ser mãe de novo, de ser mãe do segundo filho tão esperado não é fácil.

Porque foi só saber que eu estava grávida para a cabeça ir a mil e já fazer muitos planos.

Então o que penso é que o luto tem que ser vivido. E aquela dor sentida precisa ser colocada para fora. Tem que chorar mesmo, se desesperar.

É preciso viver o momento para que isso passe depois. Para que a dor dê lugar a outra coisa (que ainda não sei o nome), mas precisa parar de doer. O luto como tudo nesse vida precisa ter início, meio e fim.

Não, nenhum aborto é fácil ou simples.

Aos maridos, companheiros, familiares fica a dica: não haja como se nada tivesse acontecido. Não se comporte como se a mulher estivesse exagerando. RESPEITE. Compreenda a tristeza sem julgamentos.

Só quem passou sabe, essa é a mais pura verdade.

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