11 de julho de 2018

O segundo aborto

Categorias:

Oie! Olha quem tá vivinha haha. Estava sumidinha daqui né? Mas tô sempre no instagram, se não segue a gente por lá começa a seguir porque lá tem muito mais de nós:)

Então, confesso que andei meio desanimada de escrever, meio desanimada de tudo na verdade. O segundo aborto me tirou alguma coisa bem lá dentro que não sei explicar.Contei pra você como foi a descoberta da terceira gestação aqui e, no final deixei a observação de que tinha perdido. Eu só contei como descobri porque já tinha escrito e só não tinha postado. O texto estava pronto então compartilhei pra vocês saberem como foi a alegria.

Pena que ela se foi de novo.

Lá no insta eu contei com essas palavras:

Aborto. Tá aí um pesadelo na vida de uma gestante.

Não importa como ou quando ele aconteça, sempre será doloroso.

Não importa se é a primeira, segunda ou terceira gestação. Se acontece no começo ou no fim. Sempre vai doer. Doer muito.

Tive um aborto hoje cedo. Tô arrasada. Não esperava passar por isso de novo. Não mesmo.
Saber que Deus tem propósito, que pelo menos já tenho um filho, que tudo tem seu tempo…nada disso me consola. Eu lamento. Lamento com a minha alma. Ela é toda tristeza. Meu corpo diferente por causa dos hormônios, minha mente cheia de planos, tudo em mim lamenta, tudo em mim sofre, chora. Eu sinto muito. Sinto muito mesmo.

Descreveu o que eu senti. O que ainda sinto.

Eu já tinha até separado em uma caixa as coisas que ganhei para o segundo filho. Jamais passou pela minha cabeça que a gravidez não fosse adiante de novo.

Tristeza, injustiça, raiva, senti tudo isso. É algo que não entendo e acredito que nunca vou entender. Deveria aceitar, mas não posso dizer que consigo.

Eu sei exatamente quando tudo aconteceu. Uma semana antes do aborto senti muita, muita dor mesmo na região da bacia e na virilha. Era uma dor que nunca senti, queimava, ardia. Fui pra maternidade. Lá, minha pressão estava normal, não havia qualquer indício de sangramento, o colo do útero estava fechadinho. Cheguei a fazer um ultrassom mas como a médica já havia dito, era improvável ver alguma coisa porque era cedo. Eu tinha nesse dia 4 semanas e 5 dias.

Abrindo parentese: ah, você contou cedo demais. Tem que esperar pelo menos três meses. Olha, pra mim é o seguinte. Se fez o teste e deu positivo tá grávida. Tá grávida e pronto. Não tem problema contar. Exceto pelo fato de depois ter que contar que não flui se acontecer algo. Fecha parentese.

Seguindo, depois de toda essa dor e de passar na maternidade com um diagnóstico de que tudo estava bem (fiz outro beta e havia subido normal), no outro dia a dor passou.

Mas aí sabe o que houve? Aquele instinto que a gente tem sabe? Ele estava forte em mim. Eu sabia que alguma coisa tinha acontecido. Eu não me sentia mais grávida. E durante a semana os enjoos, a fome e o sono sumiram. Eu me via diferente no espelho. Fiquei cismada. E tinha razão.

Uma semana depois eu tinha consulta com uma médica nova (fiquei toda feliz porque tinha achado aquela médica linda que te deixa segura). Conversamos bastante e ela me examinou. Minha pressão estava alta. Nunca minha pressão subiu na vida. E eu estava com um sangramento mínimo rosado. Ela pediu repouso durante dois dias e qualquer coisa que eu fosse pra maternidade.

Fiz o repouso como ela pediu. No segundo dia, pela manhã, comecei com um sangramento bem leve. As cólicas vieram também. Chorei. Emerson estava no quarto, Álvaro na sala. Ele ficou com uma carinha tão triste pra mim. Fomos pra maternidade. A cólica foi aumentando. Minha pressão não estava mais alta. Na sala de ultrassom o aborto aconteceu de vez.

Perdi. Perdi mais uma vez. A luz se apagou.

Lamentei só ter contado pro Pititico. É a segunda vez que criamos nele a expectativa de um irmão. Ele tinha ficado tão feliz!

Na noite depois da notícia, ele pediu do seu jeito ao Papai do céu que tirasse minha dor e desse a ele outro irmãozinho. Levou café da manhã na cama pra mim no outro dia. Se preocupou. Já é um mocinho. Me fortalece sem saber disso.

Seguimos. Eu sigo do meu jeito. Vivendo o luto. Porque sim, algumas pessoas não entendem, mas é um luto. Não importa quando o aborto acontece, a gente perde, e sofre por isso. Já fiz faxina na casa, já cortei o cabelo, mas sinto que ele ainda não teve fim. Tudo no seu tempo.

Leia mais!