3 de maio de 2017

Outono, época de bronquiolite viral aguda. Saiba o que é e como tratar

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Bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, que são a parte final da “tubulação” do pulmão, que leva o ar até nossos alvéolos, onde ocorre a respiração. Essa inflamação provoca um edema das vias aéreas e um aumento da secreção no seu interior, dificultando a respiração. Ocorre principalmente em crianças abaixo de 2 anos (predominando entre 6 e 12 meses), que têm as vias aéreas mais estreitas. É muito comum no outono, quando vemos os hospitais cheios de crianças com problemas respiratórios. A maioria dos casos é leve, e se trata em casa. Porém, pode ser potencialmente grave.

A bronquiolite pode ser causada por diversos tipos diferentes de vírus. Esse vírus é espalhado através da tosse ou espirros por pessoas infectadas, em secreções ou saliva. São vírus comuns que, em adultos e crianças maiores, causam um resfriado, mas, nos bebês, pode causar a bronquiolite. Um dos vírus mais frequente e perigoso é o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por 50 a 80% dos casos.

O quadro clínico inicial é o mesmo de um resfriado comum: coriza, um pouco de tosse, espirros, e pode ou não ter febre. Com o tempo, a tosse vai piorando e a respiração vai ficando mais rápida e mais difícil. A criança parece estar sempre “cansada”. Pode ser ouvido um chiado, dito popularmente que parece “um gatinho” no pulmão. Pode-se notar as abas do nariz abrindo e fechando com o esforço para respirar. Nota-se também um afundamento acima do osso esterno e entre as costelas, decorrente também do esforço respiratório, e o uso de musculatura acessória e abdominal para ajudar na respiração. Em casos piores, a criança pode ficar com os lábios e unhas roxas.

Nos casos leves, a doença pode durar poucos dias. Em outros casos, pode ocorrer piora progressiva, com pico entre o 5º e 7º dias da doença, quando só então começa a melhorar. A tosse e o chiado podem persistir por até 3 a 4 semanas, no total.

A bronquiolite pode ser especialmente grave em crianças com doenças crônicas, como cardiopatias ou doenças pulmonares, prematuros e imunodeficientes. Entre as complicações que podem ocorrer nos casos mais graves podemos citar desidratação (pela perda de líquidos e baixa ingestão), pneumonias, atelectasias (obstrução dos brônquios por secreções) e oxigenação deficiente do sangue, levando a uma insuficiência respiratória.

O diagnóstico é clínico. Exames subsidiários como raio X e hemograma, em geral, servem apenas para afastar complicações. Pode ser feita pesquisa para alguns dos vírus causadores nas secreções do paciente. Outros exames raramente são necessários.

O tratamento é feito principalmente com inalações com soro fisiológico, apenas para umidificar as vias aéreas e fluidificar as secreções. Outras medicações, tanto via oral como inalatórias, não têm efeito comprovado ou ajudam pouco na bronquiolite, e não são usadas rotineiramente. A criança deve ficar em repouso e sentada em um ângulo de 30-40º, deixando o pescoço levemente estendido para facilitar a respiração. Deve ser mantida muito bem hidratada, para ajudar também na fluidificação e eliminação das secreções. Pode ser indicada fisioterapia respiratória em alguns casos. Antibióticos não têm efeito contra o vírus. Só são usados em caso de complicações bacterianas secundárias. Em caso de insuficiência respiratória, a criança deve ser hospitalizada e oferecido oxigênio.

Como outras doenças virais de alta transmissibilidade, a melhor prevenção é evitar o contato das crianças pequenas com indivíduos com sintomas gripais. Na medida do possível, deve evitar também ambientes fechados com aglomerados de pessoas, áreas muito poluídas e fumaça de cigarro, que é um grande irritante das vias aéreas. A lavagem das mãos é primordial. Não há vacina específica contra a bronquiolite; existe uma vacina contra o VSR, mas suas indicações são bem restritas. A criança pode ter bronquiolite mais de uma vez, já que pode ser causada por mais de um tipo de vírus. Fique atento aos sintomas!

 

 

Por Dr. Carlo Crivellaro, Pediatra com Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria; Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria; e Membro da Highway to Health International Healthcare Community

 

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