19 de setembro de 2018

Sobre a perda de identidade quando a gente vira mãe

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No começo a gente perde a identidade mesmo.

Não é nada fácil esse processo de nascer uma mãe. Na verdade as etapas desse processo começam antes mesmo de engravidarmos. Algumas simplesmente deixam de tomar a pílula, outras precisam de tratamento. A ansiedade da espera é difícil.

Mas conseguimos e durante a gravidez que é um período lindo, um estado de graça, passamos por muitas mudanças. Choramos, rimos, temos dores lombares, enjoos, pés inchados, desejos, intolerância, ansiedade quanto ao parto, tudo junto.
E assim chegamos ao grande dia: o bebê nasce. E aí vem o medo de não ser uma boa mãe, a recuperação, os pontos inflamados, o cansaço, a solidão, os seios rachados, a tristeza pós parto. Muita coisa envolve o nascimento de uma mãe.

Nós não temos tempo pra nós mesmas. Fazemos tudo rápido enquanto eles dormem ou enquanto alguém fica com eles pra gente. O banho, escovar os dentes, pentear os cabelos, dormir, fazer cocô, tudo pela metade.

O bebê mama a cada duas, três horas. Alguns ficam no peito 10 minutos, outros uma hora. Permanecemos de pijama o dia todo. Se temos alguém nos ajudando ótimo, mas se não… Quantas vezes colocamos o bebê pra dormir já tarde da noite e fomos correndo tomar um banho, felizes por isso, e de repente o bebê começa aquele choro. Dá vontade de chorar também. Saímos enroladas na toalha, cheias de sabão pra ver o que aconteceu. Não é fácil.

E quando seu filho tem cólicas? Ah, isso é terrível! E não existe receita. Você fica remoendo as informações recebidas, pensando nas dicas, conselhos, palpites, e às vezes nada dá certo.

Parece que a gente vai enlouquecer!

Demoramos a entender que não somos mais uma pessoa só. A ficha vai caindo aos poucos. Parece que nos perdemos.

Certo dia me dei conta que as calcinhas usadas durante a gravidez ainda estavam na gaveta. Pra que? Claro que não dava mais pra usar aquilo né? Me desfiz delas na mesma hora.
Isso é o primeiro momento. Os primeiros meses parecem assustadores.
Mas é só uma fase que passa. Nada acabou. Logo a gente volta. 

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